
Educação para a Natação na Europa: Reflexões após o PE Talk da EUPEA
A aprendizagem da natação assume, em muitos países europeus, um lugar central nas políticas educativas associadas à segurança aquática, ao desenvolvimento motor e à literacia física. No passado dia 2 de dezembro, a EUPEA promoveu uma nova edição do PE Talk, dedicada precisamente à análise comparada da educação para a natação na Europa. A sessão reuniu investigadores e professores de Educação Física de vários países, proporcionando um espaço de reflexão sobre modelos de ensino, critérios de proficiência e desafios estruturais.
O debate partiu de questões fundamentais que continuam a merecer atenção no panorama europeu: o que significa “saber nadar”? Como se definem os parâmetros de proficiência? Que testes são utilizados? Em que países a natação constitui uma competência curricular obrigatória? E de que forma as diferenças culturais e os contextos educativos influenciam estes modelos? A discussão destacou que a literacia aquática não é apenas um conjunto de competências técnicas, mas um domínio integrado que envolve segurança, autonomia, tomada de decisão e uma relação informada com ambientes aquáticos.
O painel de convidados permitiu conhecer abordagens diversificadas. François Potdevin (França), professor da Universidade de Lille e investigador do programa Erasmus+ ALFAC, apresentou contributos sobre inclusão, autonomia motora e progressão pedagógica em contexto aquático. Alaina Lovatt (Inglaterra), responsável por Educação Física numa escola secundária, partilhou práticas curriculares e estratégias de implementação de programas de aprendizagem da natação. A partir da Macedónia do Norte, Jugoslav Spasikj expôs a realidade de escolas sem infraestruturas aquáticas, evidenciando modelos comunitários alternativos que procuram assegurar o acesso universal à natação. Por fim, Péter Szájer (Hungria) apresentou o enquadramento do Programa Nacional de Natação, sublinhando os critérios de proficiência e os mecanismos de avaliação aplicados no seu país.
As intervenções evidenciaram a diversidade europeia na definição do que significa “saber nadar”, bem como a necessidade de aprofundar a articulação entre currículo, segurança aquática e literacia física. Entre os tópicos mais debatidos destacou-se a importância de garantir condições equitativas de acesso à aprendizagem, sobretudo em regiões com menor cobertura de equipamentos, e a relevância de uma pedagogia centrada na autonomia, compreensão do risco e tomada de decisão em ambientes aquáticos.
Este encontro constituiu uma oportunidade significativa para atualizar perspectivas e reforçar redes de cooperação europeia na área da Educação Física. Para Portugal, as reflexões partilhadas oferecem pistas relevantes para debates internos sobre o ensino da natação, a literacia aquática e a importância de modelos formativos que garantam segurança, competência e participação informada das crianças e jovens.
A sessão encerrou reforçando a importância da colaboração entre países, instituições e profissionais, sublinhando que a educação aquática é um domínio central da literacia física contemporânea e um contributo decisivo para a formação integral dos alunos.
PE TALK: Why swimming matters in PE in European schools? - EUPEA
