
O Relatório de Monitorização Global da Educação 2026, da UNESCO, é dedicado ao acesso e à equidade e inicia a série «Countdown to 2030». A publicação analisa os percursos dos sistemas educativos desde 2000 e as desigualdades relacionadas com o sexo, o território, a condição económica e a deficiência.
A expansão da escolarização constitui um resultado relevante: o relatório identifica mais 327 milhões de alunos nas escolas do que em 2000. Contudo, estima que 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estavam fora da escola em 2024. A coexistência destes dados mostra a necessidade de observar os progressos e as exclusões que persistem.
Compreender os percursos de mudança
A análise combina indicadores internacionais com 35 estudos de caso de países. Estes recorrem a dados descritivos, revisão documental e entrevistas a especialistas para compreender as circunstâncias em que se desenvolveram as políticas. O objetivo é identificar processos e condições que ajudam a explicar diferenças de percurso, atendendo aos pontos de partida.
Esta abordagem valoriza a continuidade das políticas e a atenção ao contexto. A expansão do acesso depende de fatores educativos, económicos e sociais que interagem ao longo do tempo. Uma medida isolada dificilmente responde à diversidade das barreiras enfrentadas por diferentes grupos.
Financiamento orientado para a equidade
A distribuição dos recursos ocupa um lugar central no relatório. O investimento público deve ser analisado também pela forma como chega aos territórios, às escolas e aos alunos com maiores necessidades. Apoios às famílias, condições de frequência e mecanismos de redistribuição integram as respostas examinadas.
A equidade exige observar quem beneficia das políticas e quem continua a encontrar obstáculos. Os valores médios podem ocultar diferenças importantes entre grupos e contextos. A monitorização deve, por isso, relacionar a evolução dos indicadores com a análise das condições concretas de acesso e permanência.
Uma leitura para a Educação Física
O GEM é um relatório sobre o sistema educativo e não uma avaliação específica da Educação Física. A sua relevância para a disciplina decorre do enquadramento que oferece para discutir o direito de todos os alunos a oportunidades de aprendizagem.
Aplicada à Educação Física, esta perspetiva convida a observar se o tempo curricular é efetivamente assegurado, se existem professores qualificados, se os espaços são acessíveis e se as tarefas permitem a participação de alunos com características distintas. A inscrição na escola não permite, por si só, conhecer estas condições.
A leitura proposta para o contexto português relaciona, assim, acesso formal e experiência educativa. Identificar diferenças entre escolas e grupos de alunos pode apoiar decisões sobre recursos, formação e organização do ensino. Estas são implicações analíticas para a Educação Física, que devem ser distinguidas dos resultados globais apresentados pela UNESCO.
Fontes e acesso
UNESCO (2026). Global Education Monitoring Report 2026: Access and equity — Countdown to 2030. Paris: UNESCO. Síntese inicial e capítulo 1.
