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Portugal a Brincar III 2024 e as oportunidades de brincar na infância

O relatório «Portugal a Brincar III 2024» é recuperado nesta edição como recurso para discutir as oportunidades de brincar na infância. O estudo foi apresentado em 3 de outubro de 2024, na 4.ª Conferência Estrelas & Ouriços, e resultou da colaboração entre a Escola Superior de Educação do Politécnico de Coimbra, o Instituto de Apoio à Criança e a Estrelas & Ouriços.

O estudo e a leitura dos resultados

A terceira aplicação do inquérito decorreu no segundo trimestre de 2024. Das 1 229 respostas recebidas, 1 145 foram consideradas válidas. As respostas descrevem os hábitos da criança mais nova do agregado, até aos dez anos, e permitem comparar algumas questões com as aplicações de 2018 e 2022.

A amostra é constituída sobretudo por mães e apresenta uma elevada proporção de participantes com ensino superior, 84,9%. Os resultados expressam as perceções dos familiares e cuidadores participantes. A composição da amostra deve ser considerada na sua interpretação e na comparação entre edições, evitando generalizações para todas as crianças em Portugal.

Tempo disponível e espaços de brincadeira

A resposta mais frequente sobre o tempo diário de brincadeira foi «duas a três horas», escolhida por 26,6% dos inquiridos. Esta é a categoria mais assinalada na amostra e não uma estimativa do tempo médio de todas as crianças. Quanto ao local de brincadeira fora da escola, 72,1% referem a casa como o espaço onde a criança passa mais tempo a brincar. Já 60,7% identificam os espaços públicos ao ar livre como o local ideal.

Na participação dos adultos, 40,4% apontam a falta de energia associada à carga de trabalho diário e 28,2% referem horários incompatíveis com o tempo livre da criança. Estes dados distinguem a valorização do brincar das condições concretas de tempo e disponibilidade para o acompanhar.

Implicações para a escola e a comunidade

Para a Educação Física e para a educação de infância, a leitura do estudo convida a observar como se organizam os tempos de recreio, que espaços e materiais estão acessíveis e que possibilidades existem para brincar com outras crianças. O jogo livre e as situações de ensino com intencionalidade pedagógica têm funções próprias, que importa considerar na organização do quotidiano educativo.

A reflexão estende-se às famílias e às autarquias, designadamente à disponibilidade de espaços públicos acessíveis e de condições que favoreçam a participação. Estas são implicações educativas para discussão a partir do relatório; os dados apresentados mantêm como referência o ano de 2024.

Fontes e acesso

Mendes, R., Neves, L., Lourenço, A., Abecasis, V. e Diogo, M. (2024). Portugal a Brincar III 2024. Relatório do estudo sobre o brincar de crianças até aos 10 anos em Portugal. Caracterização da amostra, pp. 3–4; resultados, pp. 5–8; conclusões, p. 16.

Relatório completo Portugal a Brincar III 2024 disponibilizado pela SPEF

Instituto de Apoio à Criança e o enquadramento do estudo

4.ª Conferência Estrelas & Ouriços e acesso às intervenções

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