
O Eurobarómetro Especial 574 sobre desporto e atividade física, divulgado pela Comissão Europeia em setembro, identifica diferenças importantes na prática declarada pelos cidadãos. Em Portugal, 68% dos inquiridos afirmam nunca praticar exercício ou desporto, em comparação com 39% no conjunto da União Europeia.
O resultado português melhora relativamente aos 73% registados em 2022. Ainda assim, Portugal apresenta a percentagem mais elevada de respostas «nunca» entre os Estados-Membros. Os dados nacionais baseiam-se em 1031 entrevistas realizadas entre 9 e 29 de abril de 2026.
Ler o indicador com precisão
A pergunta utilizada recolhe a frequência declarada de exercício ou desporto. Esse indicador deve ser distinguido da quantidade total de atividade física e do cumprimento das recomendações internacionais, que consideram outras dimensões da prática. A deslocação a pé, o trabalho e as atividades quotidianas também podem integrar a atividade física de uma pessoa.
A natureza declarativa dos dados deve acompanhar a sua apresentação pública. O inquérito permite comparar respostas e observar padrões, mas não mede diretamente o comportamento de cada participante. Também não permite atribuir as diferenças a uma única causa ou avaliar o efeito isolado da Educação Física escolar.
Oportunidades de participação e percursos de vida
A leitura destes resultados coloca questões sobre as oportunidades disponíveis e as condições em que as pessoas podem participar. O acesso a espaços, os custos, os horários e a adequação das propostas às diferentes idades são dimensões a analisar nas políticas locais e nacionais.
A escola intervém num período em que todos os alunos devem dispor de experiências de aprendizagem diversificadas. Na Educação Física, o desenvolvimento da competência, a compreensão das atividades e a possibilidade de reconhecer progressos podem apoiar uma relação mais informada com a prática. Essa relação continua a depender das oportunidades existentes depois da escolaridade.
Articular educação e comunidade
A resposta educativa deve preservar as finalidades curriculares da disciplina e relacioná-las com condições de participação na comunidade. A articulação entre escolas, municípios, serviços de saúde e organizações desportivas pode facilitar percursos adequados a interesses e necessidades diferentes.
O acompanhamento destas políticas requer indicadores que permitam observar quem participa e que barreiras persistem. A evolução favorável de um valor agregado deve ser analisada em conjunto com as diferenças entre grupos e territórios. O Eurobarómetro oferece um ponto de partida para essa reflexão, a complementar com informação sobre os contextos portugueses.
Fontes e acesso
Eurobarómetro Especial 574 relatório e documentação metodológica
