Eurobarómetro 2026: 68% dos inquiridos em Portugal afirmam nunca praticar exercício ou desporto

Portugal é o país da União Europeia com a percentagem mais elevada de pessoas que afirmam nunca praticar exercício ou desporto, de acordo com o Eurobarómetro Especial 574 — Desporto e Atividade Física, divulgado pela Comissão Europeia.
Entre os inquiridos em Portugal, 68% referem nunca praticar exercício ou desporto, um valor muito superior à média da União Europeia, situada nos 39%. Apenas 4% declaram fazê-lo quase diariamente, 24% várias vezes por semana e 4% raramente.
Os resultados nacionais baseiam-se em 1031 entrevistas, realizadas entre 9 e 29 de abril de 2026. No conjunto dos 27 Estados-Membros foram efetuadas 26 421 entrevistas, entre 9 de abril e 4 de maio.
Uma evolução positiva, mas ainda insuficiente
Comparativamente ao Eurobarómetro de 2022, a percentagem de inquiridos em Portugal que afirma nunca praticar exercício ou desporto diminuiu de 73% para 68%. Simultaneamente, a proporção dos que praticam várias vezes por semana aumentou de 18% para 24%.
Apesar desta evolução favorável, Portugal continua a apresentar o resultado mais elevado da União Europeia, seguido pela Roménia, com 66%, e pela Grécia, com 65%.
Também quando é considerada a atividade física realizada fora do contexto desportivo — como caminhar ou utilizar a bicicleta nas deslocações, dançar ou realizar jardinagem — os resultados portugueses permanecem preocupantes:
51% afirmam nunca realizar este tipo de atividade física, comparativamente a 18% na UE;
14% fazem-no quase diariamente;
26% várias vezes por semana;
9% raramente.
Neste indicador verificou-se, contudo, uma evolução significativa face a 2022: a percentagem de pessoas que nunca realizava atividade física fora do contexto desportivo diminuiu 21 pontos percentuais.
Desigualdades acentuadas entre grupos etários e sociais
A ausência de prática aumenta significativamente com a idade. Entre os homens portugueses com 75 ou mais anos, 95% afirmam nunca praticar exercício ou desporto. O mesmo acontece com 87% dos homens entre os 65 e os 74 anos e com 86% das mulheres com 75 ou mais anos.
Os jovens entre os 15 e os 24 anos constituem o grupo mais ativo. Ainda assim, 15% dos rapazes e 37% das raparigas deste grupo etário afirmam nunca praticar exercício ou desporto.
As diferenças também são evidentes quando se considera a situação socioprofissional: a ausência de prática é referida por 90% das pessoas responsáveis pelo cuidado da casa, 88% dos reformados e 78% dos desempregados, comparativamente a 19% dos estudantes.
Estes dados mostram que a participação não depende apenas de uma decisão individual. A idade, a situação profissional, as condições sociais, as oportunidades disponíveis e os contextos de vida influenciam o acesso e a continuidade da prática.
Falta de motivação e de tempo são os principais obstáculos
A falta de motivação ou de interesse é indicada por 39% dos inquiridos em Portugal como uma das principais razões para não praticarem exercício, desporto ou outras atividades físicas com maior regularidade. Seguem-se:
falta de tempo devido ao trabalho, aos estudos ou às responsabilidades familiares — 31%;
problemas de saúde ou lesões — 11%;
custo da prática — 10%;
inexistência de infraestruturas adequadas ou acessíveis — 6%.
Estes resultados apontam para a necessidade de intervenções que não se limitem à disponibilização de instalações. Importa criar experiências positivas, diversificadas e ajustadas às diferentes idades e condições de vida, reforçando a motivação, a confiança e a perceção de competência para a prática.
Os benefícios são reconhecidos, mas não se traduzem em participação
O estudo revela um contraste particularmente relevante: apesar dos baixos níveis de prática, os portugueses reconhecem amplamente os benefícios individuais e sociais da atividade física.
Em Portugal:
98% concordam que o exercício, o desporto e a atividade física contribuem para melhorar a saúde mental;
93% consideram que são importantes para a criação de laços comunitários;
88% reconhecem o seu contributo para o bem-estar de grupos marginalizados.
Existe, assim, uma distância significativa entre o reconhecimento dos benefícios e a participação efetiva. Esta diferença reforça a necessidade de políticas públicas consistentes e articuladas entre os setores da educação, do desporto, da saúde, das autarquias e da proteção social.
Um desafio para a Educação Física e para a sociedade portuguesa
Os resultados do Eurobarómetro constituem um importante sinal de alerta. O aumento sustentado dos níveis de atividade física exige uma intervenção continuada ao longo da vida, iniciada na infância e apoiada por contextos educativos, comunitários e profissionais favoráveis.
A valorização da Educação Física, a criação de experiências de aprendizagem significativas, o reforço das oportunidades de prática nas escolas e nas comunidades, a promoção da mobilidade ativa e o acesso a programas orientados por profissionais qualificados são dimensões essenciais de uma resposta estrutural.
Mais do que responsabilizar individualmente quem não pratica, importa compreender e transformar as condições que dificultam a adoção e a manutenção de estilos de vida ativos.
Fontes e informação complementar:





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